domingo, 11 de Janeiro de 2009

To go of bag - Ir de saco


Inicialmente retratado como um diabrete, o saci é uma criança indígena de cor morena, com a particularidade de possuir apenas uma perna e um rabo. Não queremos com isso dizer que a criatura deveria possuir dois rabos, apenas que conta com uma cauda demoníaca, ao invés de outros seres antropomórficos. Pronto, vamos concentrar-nos apenas na perna que falta.
Na região norte do Brasil, a mitologia africana transformou-o num negrinho que perdeu a perna enquanto lutava capoeira, imagem que prevalece nos dias de hoje. Herdou também a tradição africana do "pito", uma espécie de cachimbo, e a mitologia europeia atribuiu-lhe o "píleo", um gorro vermelho que lhe confere poderes mágicos, além de um grande saco de lona de origem desconhecida.
É considerado uma figura brincalhona, que se diverte com os animais e pessoas (e o que cada um faz com os tempos livres é da sua conta - ninguém tem nada a ver com isso), ora multiplicando-se em pequenas travessuras que criam dificuldades domésticas, ora assustando viajantes nocturnos com os seus assobios.


A função desta "divindade" era o controlo, sabedoria e manuseamento de tudo o que estava relacionado às plantas medicinais. Enquanto guardião dos saberes e técnicas de preparo e uso de chá e mezinhas, o saci atravessava as fronteiras mais ocidentais do Brasil, trazendo novidades dos vizinhos argentinos, bolivianos e colombianos, que aplicava nas suas beberagens e outros medicamentos feitos a partir de plantas.
O seu conhecimento farmacopeico atribuía-lhe também o domínio das matas, onde vivia isolado das autoridades alfandegárias e guardava estas ervas sagradas - bem como alguns imigrantes ilegais - no seu enorme saco.

sábado, 22 de Dezembro de 2007

We have the 'mule' in the cabbages - Temos a burra nas couves

«We have the 'mule' in the cabbages», disse o agente Cedric naquela trágica manhã de 24 de Dezembro, em 1923. Estava sol em Harlem, mas os 3ºC negativos afundados no termómetro não deixavam margem para dúvidas: seria um Natal gélido. Ou será que não... Cedric tinha um palpite de que o mercúrio ia subir.
Contrariamente ao que se pensa, o tradicional presépio não teve origem em Nápoles nem foi trazido para Espanha pelo rei Carlos III, aliás, os investigadores da Smart-o-Pedia nem apontam uma razão especial para se lembrarem desse rei em específico. Big Momma Z, uma cartomante local com aspirações a médium, mais conhecida pelos ataques de narcolepsia (que fazia passar por 'transes') do que pelos dons de adivinhação, organizou um pequeno presépio na horta anexa ao complexo habitacional.
Este familiar pow-wow - ou 'Cena da Natividade', como ficou conhecido, porque ninguém sabia bem ainda o que lhe chamar e 'cena' dá para tudo - tinha por objectivo celebrar o nascimento do Deus Menino, Jesus Cristo, o Salvador e mais algumas coisas com maiúscula, já que Momma Z era uma católica devota; e não, sobretudo não servia de pretexto para um pequeno esquema de extorsão e venda ilegal de álcool.
A denúncia foi feita pouco depois da chegada dos três Reis Magos suplentes, por um cidadão preocupado. Estava completa a cena. José. Maria. José Maria, o travesti do bairro. O menino nas palhas deitado. Joe, o Bêbado, enfiado num fato de burro com as garrafas de uísque. Cedric tinha-o na mira...

quarta-feira, 30 de Maio de 2007

You have quite a leather on you - Tens cá um cabedal!

Últimas palavras proferidas por Quincy Jones a Michael Jackson, após cada um ter seguido o seu caminho a seguir às gravações de Bad.
Jacko, aparentemente, não terá captado o tom irónico do produtor, passando a abdicar ocasionalmente do cabedal em favor de wife beaters (camisolas de alças usadas pelos maridos, nos Estados Unidos, enquanto espancam as mulheres) ou simplesmente do seu fabuloso tronco nu.

sábado, 14 de Abril de 2007

What hoodie?! - Qual carapuça!

Inicialmente previsto como título da demo de estreia dos The Young Aborigines.
Quando Adam Yauch (MCA) integrou a formação, trocou o kipá pelo capuz da sua sweatshirt — o que valeu ao jovem baixista um mês na casa dos tios em Israel para meditar sobre a Torá. O nome do grupo foi então alterado para Beastie Boys e a demo saiu sob o título de «Hamisha Humshei Torah - Variações sobre o Pentateuco Samaritano», o que gerou alguma resistência junto do público menos versado.
Anos mais tarde, o cantor Matisyahu redefiniria a fórmula mágica que fez o deleite de rappers, rastafarians, metaleiros do chinelo e bombistas suicidas por esse mundo fora. Aaaaaaaaw, ya don't stop!

sábado, 10 de Março de 2007

Zumba in the mug - Zumba na caneca

António Zumba (mais conhecido por 'Tonicha'), tetraneto de Ganga Zumba, o grande líder do Quilombo dos Palmares, espantou o mundo em 1836 ao conseguir encaixar a totalidade do seu corpo numa caneca de louça. A carreira de prestidigitador de Tonicha terminou tragicamente quando este tentou inverter o número, engolindo o diabo do utensílio.

quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

Drop the bone, dogg! - Larga o osso, cão!

Momento muito controverso na cena da Costa Oeste. Numa churrascada em sua casa, Tupac dirigiu-se a Snoop e disse: «Larga o osso, cão!»
Há quem diga que foi nesse momento que Snoop decidiu adoptar o apelido «Dogg», por respeito a Tupac. Há quem diga que Tupac estava a falar com o seu American Staffordshire Terrier, que tinha roubado uma costeleta do grelhador. Há quem diga que «Osso» era um aguerrido travesti guatemalteco, fruto de disputa entre os dois rappers-proxenetas. Há quem diga que a churrascada era na realidade uma «charrascada». Há quem diga que toda esta história foi imaginada pelos advogados da mãe e da ex-mulher de Eminem, numa tentativa de descredibilizar o único digno sucessor de Vanilla Ice.

sábado, 13 de Janeiro de 2007

Dicionário Smart-Espreto

Uma fascinante incursão ao fenómeno linguístico do Rap, do Reggae e, sobretudo, do Kuduro.