
Inicialmente retratado como um diabrete, o saci é uma criança indígena de cor morena, com a particularidade de possuir apenas uma perna e um rabo. Não queremos com isso dizer que a criatura deveria possuir dois rabos, apenas que conta com uma cauda demoníaca, ao invés de outros seres antropomórficos. Pronto, vamos concentrar-nos apenas na perna que falta.
Na região norte do Brasil, a mitologia africana transformou-o num negrinho que perdeu a perna enquanto lutava capoeira, imagem que prevalece nos dias de hoje. Herdou também a tradição africana do "pito", uma espécie de cachimbo, e a mitologia europeia atribuiu-lhe o "píleo", um gorro vermelho que lhe confere poderes mágicos, além de um grande saco de lona de origem desconhecida.
É considerado uma figura brincalhona, que se diverte com os animais e pessoas (e o que cada um faz com os tempos livres é da sua conta - ninguém tem nada a ver com isso), ora multiplicando-se em pequenas travessuras que criam dificuldades domésticas, ora assustando viajantes nocturnos com os seus assobios.
A função desta "divindade" era o controlo, sabedoria e manuseamento de tudo o que estava relacionado às plantas medicinais. Enquanto guardião dos saberes e técnicas de preparo e uso de chá e mezinhas, o saci atravessava as fronteiras mais ocidentais do Brasil, trazendo novidades dos vizinhos argentinos, bolivianos e colombianos, que aplicava nas suas beberagens e outros medicamentos feitos a partir de plantas.
O seu conhecimento farmacopeico atribuía-lhe também o domínio das matas, onde vivia isolado das autoridades alfandegárias e guardava estas ervas sagradas - bem como alguns imigrantes ilegais - no seu enorme saco.